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Domador e remidor
Iconologia doméstica: marcas e acidentes. Como uma fábula: há o reencontro com os resíduos, as fantasmagorias – a implicação da memória. Existe a história pessoal, a autografia, a evidência compulsiva do autor. O desenhador permanece encerrado no artifício especulativo, testemunha muda, visor, protector dos sinais.
A acção que inaugura implica que o desenho seja uma consequência equívoca, confusa, mas uma consequência. O desenho constitui-se o mapa difuso de fórmulas, o trânsito incondicional de emoções. Quem persegue os seus sinais percorre a reflexividade e o «hábito» que a todo o momento se transformam. Importa desfigurar a crença narrativa e as conversões estetizantes, trazer o que decai, exibir a deformidade do real.
O destinatário é aquele que compõe o desenho e a exigência da sua matéria colectiva. A dimensão da utopia inscreve o horizonte do domador: as sujeições e as idealizações dos lugares, a plenitude do existente.
Uma réstia de espaço configura um «vazio», persistente, antegráfico. Eis o nosso presente: o presente remidor e a proximidade obscura, impenetrável, da verdade.
Bernardo Pessoa
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